26 de jul de 2014

Um sonho

Eu pude ver que do alto de onde despencavam algumas pedrinhas, meus pés tocavam o chão. A extensão marítima abarcava tudo quanto eu conseguia enxergar e não menos salgadas, as lágrimas quentes, perpassavam meu rosto absolutamente gélido pelo vento forte que me cortava em dor, cada partezinha do corpo. Meu vestido que até o solo contava extensão, ia e vinha com força e com a mesma falta de leveza, eu apertava as mão em punho contra meu tórax. Meu sangue, em gotas pequeninas, roçava meu braço direito, até o cotovelo, de onde, encerrando sua jornada, gotejava no tecido suavíssimo em reviravoltas do meu vestido. Meu motivo estava tão distante quanto o que não me era permitido alcançar e, nosso pacto pegajoso e vermelho, ainda me lembrava do quanto eu estava borbulhando por dentro. Afinal, meu olhar buscava qualquer coisa que me desse certeza de que você - ainda que demorasse - retornaria ao que havia ficado como promessa. Estranho como me lembro disso tudo como se o mar fosse menor infinitas vezes do que minha possibilidade de tocar tudo quanto representasse sua alma com meu pensamento. Mas isso tudo foi tão rápido, tão rápido. Quando acordei hoje, não havia você, não havia mar, não havia sangue nenhum. Mas era tão absoluto que não podia descrer do que senti.