2 de nov de 2014

Mudanças

"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor". Madre Tereza


Me sinto aflita, por diversas vezes e, até mesmo fora de idade ou contexto quando vejo pessoas perderem minutos em crítica, porque o mundo tá "um caquinho de vidro" - viva a paráfrase! - mas ora, já que estou aqui, e da minha vida nada posso oferecer, vamos permanecer. Um brinde à inércia. Muito confortável achar que está tudo absolutamente truncado ou que a vida não tem nada exponencialmente grandioso quando a gente não trabalha para que esses pormenores absolutos venham a tomar forma e se espalhem como sementezinhas de dentes-de-leão incansáveis.

Eu sou potencial e possibilidade e muito além do que isso, sou aquilo que quero e minha vontade me permite alcançar.

Vejo muita gente elogiando e promovendo páginas de ONGs, falando do trabalho bonito e altruísta de outras pessoas e não sendo melhor do que clichê ao dizer que "o mundo precisa de gente assim". Mas e aí?

Vou falar uma coisa. Melhoria começa dentro da casa da gente. Se orgulho é coisa que ainda impera na sua fala e - dói reconhecer isso? - então não queira ser hipócrita dizendo que o mundo precisa melhorar.

É fácil ser agressivo ou sem educação. Quero ver quem consegue dar a cara a tapa quando outra pessoa fala alguma ignorância ou age por impulso ferindo nossa vaidade. Não to falando em ser passivo, mas ser suficiente sábio pra entender e não julgar impulsos.

Mas se você acha que isso tudo é difícil demais e que os obstáculos são muitos, não vá criticar a forma como as coisas se desenvolvem na sociedade em que você está inserido.

Você é co-autor de tudo o que acontece em menor ou maior extensão, uma vez que uma pequena atitude sua muda um dia inteirinho de uma pessoa e que isso vai transcorrer num ciclo em que ela vai afetar outras e outras pessoas...


2 de out de 2014

Cubos de açúcar


Não sei se vocês já sentiram um pouco de marasmo ao pensar no quanto ainda vocês precisarão passar ou se sou uma sofredora por antecipação absoluta. O fato é que o motivo dessa ansiedade muitas vezes me deixa um pouco encabulada com meus dias presentes e ansiosa por alguns momentos em que determino mentalmente como essenciais. Não sei a relevância disso tudo, afinal, já não é atoa que segundo que é segundo passa devagarinho e gotejante. Mas não importa. Não importa a receita agora porque o que vale é o bolo depois; Ou não importa o bolo depois porque vale melhor a próxima receita e etcétera .Já que parece um pouco cansativo essas indas e vindas de sentidos projetados, mas deveria ser igualmente fácil não articulá-las de forma tão operante em nosso subconsciente.

Eu ando muito bem, obrigada. Claro que com minhas dorezinhas e com minhas possibilidades boas e não, não tão legais assim. Mas a pesar de me consumir pelo próximo cubo de açúcar antes que que o primeiro privilegie meus sentidos, estou caminhando bem na medida da minhas criatividade ao longo do que posso fazer por mim ou do que preciso realmente fazer sem que para isso haja interesse.


26 de jul de 2014

Um sonho

Eu pude ver que do alto de onde despencavam algumas pedrinhas, meus pés tocavam o chão. A extensão marítima abarcava tudo quanto eu conseguia enxergar e não menos salgadas, as lágrimas quentes, perpassavam meu rosto absolutamente gélido pelo vento forte que me cortava em dor, cada partezinha do corpo. Meu vestido que até o solo contava extensão, ia e vinha com força e com a mesma falta de leveza, eu apertava as mão em punho contra meu tórax. Meu sangue, em gotas pequeninas, roçava meu braço direito, até o cotovelo, de onde, encerrando sua jornada, gotejava no tecido suavíssimo em reviravoltas do meu vestido. Meu motivo estava tão distante quanto o que não me era permitido alcançar e, nosso pacto pegajoso e vermelho, ainda me lembrava do quanto eu estava borbulhando por dentro. Afinal, meu olhar buscava qualquer coisa que me desse certeza de que você - ainda que demorasse - retornaria ao que havia ficado como promessa. Estranho como me lembro disso tudo como se o mar fosse menor infinitas vezes do que minha possibilidade de tocar tudo quanto representasse sua alma com meu pensamento. Mas isso tudo foi tão rápido, tão rápido. Quando acordei hoje, não havia você, não havia mar, não havia sangue nenhum. Mas era tão absoluto que não podia descrer do que senti.

21 de jun de 2014

Sentir

Por quantas incontáveis vezes eu fechei e reabri este espaço sem que para isso não fossem necessários mais do que sentimentos que brotassem em cascata em meu espírito. Digo isso porque, é bem certo que de tudo quanto escrevo e tento imprimir aqui, estão absoluta e profundamente, acima de qualquer divagação, momentos que me levam a reflexões cheias de vida - ainda que esta vida seja imersa em doses de dor.
Eu uso, na maior parte das vezes, minha escrita como um gatilho pro que não consigo expressar e que me faz querer chorar ou ter alguma resposta diante de algum drama - por mais íntimo ou desajeitado que possa ser. Não que isso soe sentimentalista. Me contradigo, absolutamente o é...
O fato é que ando precisando de muito mais do que xícaras de chá ou palavras para conseguir elaborar um mar de coisas às quais venho tentando com elas amadurecer. Uma chave pequena e simples com a qual tenho me deparado em momentos em que não adianta nada: oração. Não existe orvalho mais leve ou poção mais delicada à angústia do que quando, em humildade, curvamos nosso espírito diante de algo bem maior e bem mais sutil do que nossas mentes conseguem transbordar com adjetivos. O nome desse Ser, a profundidade que o envolve bem como a capacidade de sentir absoluta é um dos pormenores mais doces...

2 de jan de 2014

Gratidão

Nossos pés tocavam o lodo escorregadio e o chuvisco que tocava nossos ombros era absolutamente mais quente do que a água à qual estávamos submersas. O nosso apoio estava no não saber até onde as pedras se estendiam. Esse é o maior problema de quem busca uma cachoeira lodosa. A água não é transparência aos pés. Mais rápido do que uma faísca que se esvai, meu corpo perdeu o apoio e, as mãos que me apoiavam esvaíram junto do meu corpo para um buraco que eu não conseguia alcançar ao fim com a ponta dos dedos. Um anjo de carne tentava nos jogar à margem e o verde que os olhos alcançavam junto ao grito oprimido pela tosse desenhava uma resignação desesperada por oxigênio. Não havia mais mão que tocasse pois cada fluxo de ar era tomado por água. O anjo, enfim, empurrou nossos corpos a um lugar onde outros anjos esperavam para nos amparar...

Gratidão é a certeza da falta de esperança que rodopia sua mente e que se desfaz por um segundo de alguém que decide mudar um fim.