21 de mai de 2013

Lírio

Paciência é plantinha pequena que precisa de calor e luz pra que venha à flor. Pois que, imaginem só vocês, diante do que a mil arranhões - ou talvez até mais- o que vem passando nossos corações que, imaturos, inseguros, indecisos, caem por medo em lama. Isso é ruim e piora a dor. Mas não houve lírio que negasse a lama para que viesse a brotar. E se? E se paciência for lírio pequeno e suave que os ventos castigantes ousam forçar a raiz perder espaço no solo? Se, ora, se eu parar com tanto se e deixar com que minha respiração volte harmônica a me oxigenar,se isso vier a acontecer, sei que meus lírios hão de chegar. Agora não há véu que cubra o que está arranhado porque a pele não consegue não transpirar o que machuca aqui dentro.Isso talvez seja necessariamente uma forma de crescimento. E crescer é em absoluto um envolvimento com a dor. "Não quero sentir" eu repito sussurrando ao meu espírito que, seguro de fagulhas que desapercebi, sabe que preciso passar por quimeras avessas se quiser realmente pacificar o turbilhão que se agita em mim. É um mar? É lamaçal ? Não importa. Do céu, a chuva ainda vem purificar e amenizar o que parece sem fim.

1 de mai de 2013

Resignação

Por certo vocês haverão de notar o que as vezes, ventos cortantes trazem ao nos acariciar mãos e rostos desprotegidos. O que foi? O inverno já está aqui? Pois se, ora, não vejo ou dimensiono o pequeno gelo que me transpõe a brecha de calor, deve mesmo ser tempo geada por aqui. Sinto que se ao debruçar-me no parapeito não encontrar semente alguma ousando romper em broto o canteirinho que ali posso -ilusoriamente- cultivar, deve ser por razão do tempo que, absolutamente ferino, não espera o calor da seiva chegar. Mas não é ruim. Sei que minha respiração ainda me aquece e que, aqui dentro, brasa viva arde pulsando em meu peito. O que sinto? Sei o que posso nomear resignação e o que por ignorância passo cega à condenação. Não importa agora. Tenho sementes que já estão nascendo onde agora me debruço. Tenho árvores fecundas que não mais podem ser infringidas pelo mal-me-quer desse tempo inconstante. Há em minh'alma algo novo e quente que o frio que me maltrata não pode tocar.