25 de dez de 2012

Fantasiando

Algumas coisas tem me feito pensar insistentemente em detalhes aos quais não consigo evitar de notar. Uma delas, comentei mais cedo no meu twitter é mostrar-se como você realmente não sente, ou seja, criar máscaras e personagens.
Ilustração: Hanuol
Acredito firmemente na melhora moral das pessoas e que isso é louvável; tenho fé em sentimentos bondosos e puros e sei que muita gente bonita acalenta eles por aí , nem que seja por um minutinho. Mas daí a passar a demonstrar o que você realmente não sente instantaneamente é outra conversa. 
Vamos delimitar uma coisa. Todo mundo pode melhorar e, crescer é absurdamente doloroso... isso porque amadurecimento e sensibilidade envolvem mudança de hábitos cristalizados que são invariavelmente difíceis de se modificar. Afinal, ninguém vira "Madre Teresa" da noite pro dia, okay?
Reforma íntima é um assunto delicado e que merece atenção. Sou -e não escondo isso em momento algum- Espírita. E essa é uma forma de sentir e crer que me direciona inegavelmente emocionalmente. Há uma autora em especial que se chama Ermance Dufaux que me cativa sinceramente. O que ela diz? Coloca-nos que crescimento é algo que envolve PRINCIPALMENTE aceitação do que você é e sente. Dizer que você não quer sentir é simplesmente estar estagnado. Negar sentimentos é, infelizmente, desacreditar de você...
Estou dizendo isso para justificar o por quê de eu trazer esse assunto aqui. 
Conheço muita gente que adota comportamentos de algo que gostariam de ser e que não são. Vamos combinar que querer ser alguém diferente de você, certamente é um caminho breve à depressão. 
Então, retomando o blog, trago um apelo para o ano que  vai começar à todos vocês que por aqui passarem!Não insistam em fantasiar o que vocês não são. Trabalhem para conquistar bons hábitos comportamentais, mas com certeza de que isso dói e de que vai demorar mudar. Querer parecer dá muita, muita dor de cabeça.
É meu desejo pra todos vocês :)
Luv ya. 

5 de nov de 2012

Magia


"Olhava o regato brilhando ao sol e seus olhos começaram a distinguir as plantas das margens. Havia tufos de miosótis azuis, tão perto da corrente que suas folhas mergulhavam na água. Pensava com ternura em como eram lindas e maravilhosas aquelas florzinhas azuis. Não percebeu que aquele pensamento ingênuo ia aos poucos ocupando seu espírito, e que, ao mesmo tempo, outras ideias eram lentamente expulsas."
O Jardim Secreto, Frances Bunnet


Tenho que confessar que este livro me trouxe novos ventos de leveza, o que foi inexplicavelmente saudável pra mim. Estou em pleno término de semestre letivo e com a mente um pouco angustiada por algumas pequenas situações que me fazem pensar demais.
Encontrei "O Jardim Secreto" na biblioteca de onde estudo e decidi ler, não só por lembrar dos vários comentários positivos ao seu respeito, como também para tentar desanuviar, sabe?
Há um momento do livro em que algo muito delicado denominado "magia" é focado. Essa magia é responsável pelas plantinhas tenras que brotam na terra, pela chuva que cai, pelos animaizinhos que conseguem fazer seus ninhos a cada estação, pelo riso das crianças e por tudo quanto há de leveza -dentro de toda acepção criativa dessa palavra- em nosso mundo.
É essa "coisa Boa" que algumas pessoas tomam por Deus e que faz sentir um enorme bem estar e confiança simplesmente porque te escuta e te faz bem.
Enquanto lia O Jardim Secreto pensei muito sobre a nossa responsabilidade perante o que faz os outros bem. Qual são nossas possibilidades dentro de tudo quanto acaricia ou fere alguém? Isso, então, entra no campo da palavra. Porque o verbo é realmente algo que constrói e desmancha com a mesma força se a gente quiser.Me senti como se alguns alfinetes resolvessem fazer brincadeiras em minha alma, por fim.
É realmente -e um pouco desesperador- pensar o quanto somos capazes de afetar alguém e o quanto o fato de termos afetado essa pessoa pode criar uma sequência de reações pro bem ou não de quem convive com que atingimos com nossas palavras.
Então talvez fosse mais precioso ficar mais em silêncio e aprender observando quais são os limites dos outros e quais são os nossos limites. Isso pra que depois não venham cobranças em meio a dias que podem não ser tão bons para desembaraçar fatos muito velhos...
Essencial é respirar fundo e deixar que, talvez em uma prece, uma meditação, uma lembrança boa, sentimentos puros nos invadam numa magia perfeita para que não tenhamos oportunidades não tão felizes pra concertar depois !

De coração,